A Sesau (Secretaria de Saúde), por meio da CGVS (Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde), iniciou nesta terça-feira, 05, uma qualificação voltada a enfermeiros e técnicos de enfermagem do DSEI-Y (Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami), com foco na prevenção, diagnóstico e tratamento das ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis).

A ação ocorre em parceria com o Coren-RR (Conselho Regional de Enfermagem) e o próprio DSEI-Y, com o objetivo de fortalecer a assistência à saúde, especialmente nas áreas indígenas, ampliando o acesso a serviços e tecnologias de cuidado.
A iniciativa acontece em um cenário de aumento dos casos de ISTs em Roraima, incluindo entre populações indígenas. Entre janeiro de 2025 e abril de 2026, foram registradas cerca de 433 notificações da doença em pessoas autodeclaradas indígenas, o que reforça a necessidade de descentralizar o acesso à informação, diagnóstico e tratamento.
Durante a capacitação, são abordados temas como uso de preservativos internos e externos, diagnóstico, autoteste, gel lubrificante e organização da rede assistencial.

“Vamos apresentar todas as tecnologias, preservativos internos e externos, diagnóstico, autoteste, gel lubrificante, assim como toda rede assistencial para que todos os pacientes consigam ter o acesso de forma igualitária a quem não vive em território indígena”, afirmou a técnica de vigilância do Deve (Departamento de Vigilância Epidemiológica), Jaqueline Voltolini.
Outro ponto destacado é a importância do diagnóstico precoce, especialmente no acompanhamento de gestantes, como forma de evitar a transmissão vertical, quando a mãe transmite a infecção para o bebê durante a gestação ou parto.
“Nós precisamos levar a informação, o diagnóstico e o tratamento para quebrar cadeias de transmissão, porque são doenças que são tratáveis. Algumas delas têm cura, algumas não têm cura, mas tem tratamento e com o tratamento garantimos uma qualidade de vida. O indígena precisa ter o tratamento especializado”, destacou Jaqueline.
A enfermeira do DSEI-Y, Daniela Sacramento, ressaltou que a qualificação contínua das equipes é essencial para melhorar a assistência nas comunidades indígenas.

“A ideia de trazer essas capacitações surgiu da oportunidade de qualificar nossos colaboradores para poder levar esse conhecimento à comunidade indígena e prestar uma melhor assistência, visto que temos inúmeros fatores que fazem com que todas essas doenças venham se propagar de uma forma muito ampla dentro de território se ele [o indígena] não tiver esse conhecimento”, pontuou.







