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SINAIS DE ALERTA: Setembro Amarelo reforça importância do diálogo e da valorização da vida

Dados da Sesau apontam que Roraima contabiliza 44 mortes por suicídio entre janeiro e 21 de agosto de 2026
Foto: Ascom/ALERR

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Da: Ascom/ALERR

A campanha Setembro Amarelo mobiliza a sociedade em torno do debate sobre a valorização da vida e a prevenção ao suicídio.  Em Roraima, a iniciativa é respaldada há dez anos pela Lei nº 1.065, que reforça a importância de ampliar essa discussão para diferentes espaços da sociedade. A proposta é que o diálogo sobre saúde mental e assuntos relacionados ao tema ocorra não só durante o mês de setembro, mas que faça parte do cotidiano da população.

 

A raiz do problema, muitas vezes, está em sofrimentos que permanecem silenciosos, como ansiedade, depressão, crises emocionais, sensação de isolamento e outras situações que podem comprometer a qualidade de vida. Por isso, reconhecer os sinais e buscar ajuda são atitudes que podem fazer a diferença, segundo o psicólogo Wagner Costa.

“Hoje, as pessoas estão se isolando e elas não percebem. Tem muita gente dizendo que nós reinventamos a solidão, por quê? Porque nós inventamos o celular, a internet, e o e-mail para conectar as pessoas. Então, estamos hiperconectados, mas, nós perdemos a convivência, e, a convivência, é o contato, o olho no olho, o abraço, a presença, e isso é indispensável”, alerta.

Mais do que incentivar as pessoas a ‘serem fortes’ diante das dificuldades, o Setembro Amarelo propõe uma mudança de olhar: reconhecer que cuidar da saúde mental é parte essencial da preservação da vida. Isso significa combater o estigma, estimular o diálogo e ampliar o acesso à informação e aos serviços especializados.

“Não estou falando da questão da solitude, de tirar momentos para ficar comigo mesmo, até porque isso é bom e necessário, pois, cada um precisa entender que também precisa dar conta das suas coisas sozinho. Mas, eu tenho que aceitar que eu preciso de ajuda e de convivência com outras pessoas”, orienta.

Ainda conforme Wagner, a prevenção deve estar presente no cotidiano. Escutar sem julgamentos, acolher quem demonstra sofrimento e estar atento às mudanças de comportamento são formas importantes de oferecer apoio.

“A prevenção é construir uma vida boa, e cultivar bons relacionamentos. É você saber que existem pessoas com quem você pode contar, compartilhar suas dores, chorar, e contar seus segredos, sabendo que essa pessoa vai te acolher. Isso é muito importante”, comenta.

Saúde e bem-estar do servidor

O Núcleo de Saúde da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), vinculado à Superintendência de Saúde e Medicina Ocupacional, oferece atendimento ambulatorial, suporte em situações de emergência e ações voltadas à promoção da qualidade de vida de parlamentares, servidores e terceirizados.

Entre os serviços disponíveis estão consultas médicas e atendimentos nas áreas de enfermagem, nutrição e psicologia. Kamila Trajano, servidora do setor, ressalta que o atendimento psicológico começa no setor de Humanização, onde o servidor passa por uma escuta inicial e apresenta suas demandas. A partir dessa avaliação, é definido o encaminhamento mais adequado para cada caso.

“Quando há necessidade de acompanhamento contínuo, o servidor pode realizar sessões de terapia previamente agendadas. O atendimento é voltado tanto para questões pessoais quanto profissionais que possam interferir na saúde emocional, como estresse relacionado ao trabalho, ansiedade e conflitos interpessoais”, detalha.

A iniciativa visa oferecer acompanhamento integral, contribuindo para a prevenção de problemas de saúde mental e para a melhoria da qualidade de vida dos servidores. “O atendimento é ambulatorial, então, o foco do serviço é no atendimento breve. Os interessados podem nos procurar presencialmente, na Avenida Ville Roy, 5717, São Francisco, ou através do nosso número: (95) 98402-4653, de
segunda a sexta-feira, das 8h às 18h”, orienta.

Serviços gratuitos de apoio à população

No âmbito municipal, as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) contam com equipes e programas voltados à saúde mental, além de realizarem encaminhamentos para serviços especializados, como o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II), que oferece acolhimento diurno e atendimento especializado a pessoas em sofrimento psíquico grave e persistente. A unidade funciona em regime de ‘porta aberta’, ou seja, não é necessário agendamento prévio para a primeira avaliação.

Já o Estado dispõe dos CAPS III e CAPS AD III, unidades de referência para atendimento especializado e suporte em saúde mental, incluindo acompanhamento psiquiátrico e assistência a pessoas com dependência química.

Há, também, a Policlínica Coronel Mota, que oferece suporte ambulatorial especializado na rede estadual de saúde; o teleatendimento do SUS, pelo qual usuárias que se enquadram em públicos específicos, como mulheres vítimas de violência ou mães atípicas, podem solicitar suporte remoto gratuito por meio do aplicativo Meu SUS Digital; e, ainda, o Centro de Valorização da Vida (CVV), que oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia.

Roraima registra 44 mortes por suicídio em 2026, aponta Sesau

Dados da Secretaria de Saúde de Roraima (Sesau), registrados no Sistema de Informação sobre Mortalidade, apontam que o estado contabilizou 44 mortes por suicídio entre janeiro e 21 de agosto de 2026.

O levantamento também aponta uma pequena redução em relação ao mesmo período de 2025, quando foram registrados 45 óbitos. O número representa uma queda de aproximadamente 2,2%.

Os dados são acompanhados pelos órgãos de saúde como parte das ações de monitoramento e prevenção, com o objetivo de subsidiar políticas públicas voltadas à promoção da saúde mental e à redução das mortes por suicídio.

Na Assembleia Legislativa de Roraima, a saúde mental é tema de debates e objeto de iniciativas voltadas à prevenção do suicídio. Conheça algumas delas:

Lei n° 612/07 – Dispõe sobre a obrigatoriedade de avaliação psicológica para os integrantes das Polícias Civil e Militar, servidores do Sistema Penitenciário e Centro Socioeducativo de Roraima;

Lei nº 637/08 – Autoriza o Governo do Estado a criar o Programa de Assistência Psicológica a Crianças e Adolescentes nas Escolas Estaduais;

Lei nº 1.220/17 – Institui o Mês Janeiro Branco, dedicado à realização de ações educativas para a difusão da saúde mental;

Lei nº 1.410/20 – Autoriza o Poder Executivo a criar um portal online e via telefone de comunicação entre profissionais da saúde mental e pessoas que sofrem com crise de ansiedade, pânico, depressão e semelhantes devido à quarentena preventiva, em razão da covid-19;

Lei nº 1.542/21 – Inclui no Calendário Oficial do Estado a campanha Setembro Amarelo, em alusão ao mês de sensibilização e prevenção ao suicídio;

Lei nº 2.059/24 – Institui o mês da Saúde Mental Materna, denominado “Maio Furta Cor” no estado de Roraima;

Lei nº 2.059/24 – Institui no âmbito das instituições militares do estado o projeto Qualidade de Vida dos Militares;

Lei nº 2.210/25 – Institui Diretrizes para a Política Estadual de Saúde Mental no âmbito do Sistema Único de Saúde, no estado de Roraima;

Lei nº 2.265/25 – Autoriza o Poder Executivo a criar a Política de Apoio à Saúde Mental dos Servidores de Roraima;

Lei nº 2290/25 – Dispõe sobre a prioridade na marcação de consultas para acompanhamento psicológico;

Lei nº 2.404/26 – Estabelece a Política Estadual de Valorização da Vida em Casas de Abrigo e Centros de Acolhimento no estado de Roraima;