POLÍTICAS PARA MULHERES: Frente Popular articula criação de secretaria estadual durante encontro na ALERR

Propostas foram construídas com participação popular e foco na proteção e autonomia feminina
Foto: Ascom/ALERR

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Da: Ascom/ALERR

A Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR) sediou, nesta sexta-feira (20), o 1º Encontro da Frente Popular de Mulheres de Roraima. O evento reuniu representantes de órgãos públicos, movimentos sociais e sociedade civil para discutir políticas voltadas às mulheres. A programação foi marcada pela assinatura de um Termo de Compromisso que propõe a criação da Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres, com o objetivo de coordenar ações, fortalecer a rede de proteção e promover autonomia.

  

O documento foi firmado ao fim das atividades, após uma série de painéis temáticos e momentos de escuta popular. Entre os compromissos assumidos estão o fortalecimento das políticas de proteção, a promoção da igualdade e a ampliação do acesso a serviços essenciais para mulheres em diferentes contextos sociais.

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Soldado Sampaio (Republicanos), destacou que iniciativas como essa contribuem para a construção de políticas mais eficazes e alinhadas às demandas reais das mulheres roraimenses, especialmente diante dos altos índices de violência no estado.

“Merece atenção das autoridades, inclusive desta Casa. É uma pauta que trata do direito ao respeito, ao emprego, à educação, à segurança e, em especial, ao enfrentamento da violência contra a mulher, que infelizmente ainda apresenta altos índices”, afirmou.

O parlamentar reforçou a importância do acompanhamento das demandas pelo Poder Legislativo. “É legítimo que elas procurem esta Casa. Nós, deputados, nos colocamos à disposição para abraçar essa causa e somar forças”, completou.

A representante do conselho da Frente Popular, Letânia Fontes, ressaltou que a união das mulheres é fundamental no enfrentamento à violência, cenário agravado pela condição de fronteira de Roraima.

“Temos um quadro grave, especialmente de estupro de vulnerável. Hoje, somos o estado com o maior índice do país, acima da média nacional, com 73% das vítimas sendo crianças, meninas e mulheres. É por isso que estamos unidas”, destacou.

A coordenadora-geral de Prevenção à Violência contra as Mulheres, Anita Cunha, representante do Governo Federal, também participou do encontro e falou sobre os desafios na reconstrução e execução de políticas públicas.

“É um grande desafio estruturar a rede de atendimento, ampliar unidades especializadas e investir em prevenção. Estamos unidas e empenhadas em enfrentar a violência que, muitas vezes, culmina no feminicídio”, afirmou.

Participação popular

 

Durante o encontro, representantes da sociedade civil apresentaram demandas relacionadas a direitos básicos, como moradia e segurança.

Carla Cristina, articuladora política da Confederação Nacional de Associações de Moradores em Roraima, destacou as dificuldades enfrentadas por mulheres em situação de vulnerabilidade habitacional e a importância de políticas públicas efetivas.

Segundo ela, entraves burocráticos e a retenção de documentos têm atrasado o acesso a programas habitacionais.

“Quem mora de favor, de aluguel ou em situação precária precisa ter dignidade. A casa do programa Minha Casa, Minha Vida representa isso, e esse direito não pode ser impedido”, afirmou.

Mulheres de diferentes municípios, comunidades do interior e áreas indígenas também participaram do encontro. A pastora e terapeuta Yana Brasil esteve presente com representantes de Caroebe, São João da Baliza, Rorainópolis e das comunidades indígenas Guariba e Sorocaima I e II.

Segundo ela, a mobilização coletiva simboliza resistência e a busca por respeito e garantia de direitos.

“Estamos aqui para dizer que queremos permanecer vivas. Não queremos estar mortas dentro de um sistema que tem nos negado direitos. O enfrentamento dentro das igrejas ainda é delicado, mas precisamos avançar”, afirmou.

Debates e painéis

 

Ao longo da tarde, o encontro contou com três painéis temáticos. O primeiro abordou direitos, justiça e ações voltadas a mulheres e meninas, com foco na prevenção da violência e na proteção institucional.

O segundo painel tratou de saúde, bem-estar e enfrentamento à violência sob diferentes perspectivas sociais, incluindo mulheres indígenas, do campo, religiosas e negras.

Já o terceiro debateu o empoderamento político e econômico e o fortalecimento das políticas de igualdade, reunindo representantes de instituições estaduais, federais e organismos internacionais.

Cultura e valorização feminina

 

A programação também incluiu apresentações culturais e exposições que evidenciaram a diversidade de saberes e produções femininas no estado. Grupos como o River Side Native’s, da Guiana, e o Tararam e Tararamu, de Bonfim, levaram ao público expressões culturais tradicionais, fortalecendo a integração entre comunidades de fronteira.

O espaço contou ainda com exposição e comercialização de produtos regionais, como molhos de pimenta, artesanato com sementes, penas e palhas, além de peças produzidas por mulheres indígenas e rurais. Representantes de municípios como Cantá, Bonfim, Amajari e Rorainópolis participaram da mostra, que também incluiu materiais informativos e obras de autoria feminina.

As atividades contribuíram para valorizar o protagonismo das mulheres, dar visibilidade à produção local e fortalecer a economia solidária.