O Ministério Público do Estado de Roraima (MPRR) denunciou 22 pessoas, 17 mulheres e 05 homens, por integrarem a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A denúncia é resultado da Operação Virago, deflagrada no último mês de abril, que revelou a existência de uma estrutura altamente hierarquizada, com foco no denominado “Setor da Feminina”.
De acordo com a denúncia ajuizada nesta quarta-feira, 27 de maio, pela Promotoria de Justiça Especializada em Crimes de Tráfico de Drogas e Decorrentes de Organização Criminosa, as mulheres exerciam funções de elevada relevância e responsabilidade, e assumiam o protagonismo na escalada da violência e na execução de condutas típicas da facção, incluindo a participação direta no “Tribunal do Crime”, espécie de julgamento clandestino utilizado pela organização criminosa para aplicar punições internas com agressões e execuções.
Entre os denunciados que possuíam papel importante dentro da Organização Criminosa em Roraima, está B.L.S, conhecida como “Perigosa”, que exercia uma função de coordenação interna relacionada ao acompanhamento de integrantes da facção que estavam presos, afastados ou fora das atividades operacionais do grupo criminoso, além de atuar como referência para o ingresso de novos integrantes na organização. Ela também é investigada pela Delegacia de Homicídios por suposta participação em execuções de ex-integrantes da facção.
Outro nome destacado na denúncia do MPRR é V.A.P.S, o “John Wick”, apontado como “Geral da Aviação”, função relacionada ao gerenciamento de pontos de venda de drogas e expansão territorial da facção. Conforme a investigação, ele participava ativamente de grupos de comunicação utilizados para coordenação de atividades ilícitas e chegou a discutir a abertura de novos pontos de tráfico no interior do Estado.
As investigações também evidenciam a atuação de integrantes responsáveis pelo chamado setor disciplinar da facção. Entre elas, está A.P.S.J, conhecida como “Rhyanna”, apontada como “Disciplina da Regional Norte”, função ligada ao monitoramento de integrantes, aplicação das regras internas da organização e participação em conferências estratégicas.
Para o Promotor de Justiça Carlos Alberto Melotto, o grupo demonstrou um modelo de organização estruturado e com funções bem definidas dentro da facção criminosa.
“As investigações evidenciaram uma estrutura criminosa organizada, com divisão clara de funções e utilização de ferramentas tecnológicas para manter a comunicação e o alinhamento entre os integrantes, o que demonstra o elevado grau de organização e permanência do grupo criminoso”, destacou.
O MPRR requer que os investigados sejam condenados pelos crimes de integrar organização criminosa armada, previstos na Lei nº 12.850/2013. Uma parte dos denunciados também responderá pelo crime de tráfico de drogas.







