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GINGA E RESISTÊNCIA: Capoeira une esporte, cultura e formação cidadã no Centro de Convivência da Juventu

Lei nº 1.778/2023 reconhece 18 de outubro como o Dia Estadual do Capoeirista e do Ofício de Mestre de Capoeira
Foto: Ascom/ALERR

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Da: Ascom/ALERR

Com movimentos que exigem força, equilíbrio e flexibilidade, a capoeira vai além da atividade física: preserva e valoriza a história e a cultura afro-brasileira, além de contribuir para a formação de crianças e adolescentes. Em Roraima, esse papel social e cultural é reconhecido pela Lei nº 1.778/2023, que instituiu o dia 18 de outubro como o Dia Estadual do Capoeirista e do Ofício de Mestre de Capoeira.

A legislação incentiva entidades representativas da capoeira a desenvolverem ações de preservação, divulgação e valorização da modalidade, incluindo atividades nas escolas da rede estadual. Além disso, estabelece que as comemorações sejam realizadas ao ar livre, sem cobrança de ingressos ou taxas de participação.

O presidente da Assembleia Legislativa de Roraima, deputado Jorge Everton, ressalta o papel do Parlamento na valorização das manifestações culturais e na preservação da história do povo. A lei é um exemplo de iniciativa voltada ao reconhecimento da capoeira e à valorização de sua importância para a sociedade.

“A criação de leis que valorizam a nossa cultura e preservam a história do nosso povo é fundamental para manter vivas as nossas tradições e garantir que elas sejam conhecidas pelas novas gerações. A capoeira representa resistência, identidade e cidadania, e reconhecer essa manifestação é também valorizar as pessoas que mantêm essa história viva”, frisa.

No Centro de Convivência da Juventude (CCJuv), da Assembleia Legislativa de Roraima (ALERR), a modalidade é oferecida gratuitamente e reúne alunos de diferentes idades.

A superintendente de Programas Especiais, Marília Pinto, destaca que a prática proporciona benefícios físicos e aproxima os participantes das raízes históricas do país. Para ela, ampliar o acesso à modalidade também é uma forma de valorizar essa manifestação cultural e combater ideias equivocadas que ainda afastam algumas famílias das aulas.

“A capoeira trabalha vários elementos e traz toda uma história, um ritual, nos remete às tradições africanas e às origens da nossa cultura. Às vezes, as pessoas não conseguem compreender como arte e confundem isso com algo espiritualista. Essa falta de compreensão acaba limitando a inclusão de mais crianças”, avalia.

Aprendizado dentro e fora da roda

Com 35 anos de vivência na capoeira e quatro anos como professor, o mestre Mayc Araújo vê na modalidade uma oportunidade de desenvolver habilidades físicas e valores que acompanham os alunos no cotidiano. Para ele, o trabalho não se resume aos movimentos, mas também envolve disciplina e formação humana.

“A capoeira é uma arte que encanta e recebe muitas pessoas. Para mim, é resistência. Hoje, ela também está ajudando muita gente a encontrar um caminho melhor”, enfatiza.

Conforme o professor, as aulas são voltadas à formação de pessoas conscientes de suas escolhas e de seu papel na sociedade.

“Aqui, a gente aprende principalmente a ser um ser humano, uma pessoa de valor, que quer alguma coisa para o futuro. Eu quero formar cidadãos, pessoas de bem”, afirma.

Entre os alunos, os relatos mostram como a prática contribui para a confiança, o bem-estar e a valorização da própria cultura.

Paulo Gabriel tem 15 anos e pratica capoeira há dois anos. Ele conta que, além de desenvolver os movimentos, aprendeu a compreender melhor o significado cultural da modalidade, apesar de já ter ouvido comentários preconceituosos.

“Existe muito preconceito. Falam que capoeira é macumba, mas, para mim, ela não tem religião, é uma cultura. Praticar me deixa mais leve”, relata.

Alessandra Rodrigues, de 13 anos, também frequenta as aulas há dois anos. Incentivada pelo pai, começou a praticar para aprender movimentos de defesa e acabou descobrindo uma atividade com a qual se identifica.

“Eu vi que os movimentos eram bonitos, que era legal. Meu pai me colocou para aprender a me defender, e eu gostei. Aqui eu me sinto bem”, garante.

Já Isabelly Lima, de nove anos, participa há dois anos e meio. Ela conheceu a modalidade por meio da mãe e, com o tempo, percebeu que havia encontrado uma atividade com a qual se identificava.

“Eu sinto uma energia boa e me sinto bem. Depois que comecei na capoeira, fiquei com uma energia muito melhor. Hoje, é um dos meus esportes favoritos”, comemora.

Como se inscrever?

A sede do CCJuv funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, no prédio da Superintendência de Programas Especiais, localizado na avenida Ataíde Teive, nº 3510, bairro Buritis. Informações adicionais podem ser obtidas pelo Call Center da ALERR, no 0800 006 0670, das 8h às 20h.

O CCJUV conta ainda com uma plataforma online onde podem ser consultadas as modalidades, polos e horários disponíveis.