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Gabinete de crise, helicóptero em resgate e mais bombeiros: conheça as 10 medidas emergenciais do Governo de Roraima

Municípios do Norte do estado já decretaram situação de emergência; helicóptero do Estado realiza resgates e Governo distribui filtros, cestas básicas e medicamentos

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Da: SECOM/RORAIMA

Entre elas, cancelou a agenda política do dia em relação às eleições suplementares para focar a atenção como gestor à potencial crise, criou um gabinete de crise e cancelou as férias de militares, mobilizando todo o efetivo do Corpo de Bombeiros para apoiar famílias isoladas nos municípios do Norte do estado. A medida foi anunciada em coletiva de imprensa no Palácio Senador Hélio Campos e é a maior mobilização do governo estadual já realizada para conter os impactos do período chuvoso.

“Reunimos hoje todo o nosso corpo de governo para anunciar medidas urgentes em parceria com as prefeituras e com o Governo Federal. O Governo do Estado tem que fazer seu papel, que é estar presente e ajudar a população que precisa”, declarou Sampaio durante a coletiva concedida à imprensa no início da tarde de quinta-feira.

Gabinete de crise e estado de emergência

O gabinete será presidido pela Casa Civil e reunirá a Defesa Civil Estadual, o CBMRR (Corpo de Bombeiros), a Sesau (Secretaria de Saúde), a Sepi (Secretaria dos Povos Indígenas), a Seinf (Secretaria de Infraestrutura), a Setrabes (Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social) e a Femarh (Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos).

Uma reunião com os secretários e representantes das prefeituras foi realizada às 15h desta quinta, seguida de encontro com prefeitos para levantamento das necessidades dos municípios.

Uiramutã e Bonfim já decretaram situação de emergência. Normandia, Amajari e Pacaraima devem seguir nas próximas horas, segundo o governador. “A gente acredita que até amanhã cedo todos os municípios da região norte terão o decreto” disse Sampaio. Os municípios do sul também são monitorados, com registros crescentes de pontos de alagamento e isolamento de comunidades.

Resgate aéreo e populações isoladas

O helicóptero do Governo, cedido no início da atual gestão pela governadoria à Sesau e às forças de segurança no início da gestão, foi imediatamente empenhado nas operações.

Ainda na tarde desta quinta, a aeronave decolou para o município de Normandia para resgatar servidores do Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena) Leste que estavam isolados há dias na comunidade Cuieiras e sem possibilidade de transbordo terrestre.

“A aeronave representa um reforço importante nas ações emergenciais. Em muitas localidades, o acesso terrestre já está comprometido”, afirmou o diretor-executivo da Defesa Civil Estadual, coronel Cidinei Lima. Comunidades isoladas também foram identificadas no Jacamim, em Bonfim, e na região dos Ingarikó, em Uiramutã.

O CBMRR mantém equipes fixas em Bonfim desde 13 de maio e opera em Normandia, Uiramutã, Pacaraima, Amajari e São Luiz do Anauá.

Embarcações estão sendo antecipadamente redistribuídas –parte delas originalmente previstas para entrega via Secretaria de Agricultura e Secretaria dos Povos Indígenas– para ampliar as operações de baldeação nos municípios mais atingidos, especialmente Normandia e Uiramutã.

500 bombeiros em campo

O governador suspendeu as férias de todos os militares do CBMRR e convocou policiais e bombeiros em formação na Academia de Polícia Integrada Coronel Santiago para integrar o efetivo da força-tarefa. Com isso, todos os 500 bombeiros do estado estarão empenhados nas ações de resposta, sem prejuízo do atendimento ordinário na capital e no interior.

“Desde abril já vínhamos atuando de forma preventiva nos municípios mais afetados. Com o gabinete de crise, esse trabalho passa a ser ampliado e integrado”, disse o comandante-geral do CBMRR, coronel Anderson Carvalho.

Os dados meteorológicos reforçam a preocupação: em maio, Boa Vista já registra 350 milímetros de chuva — acima da normal histórica de 347 mm para o mês. Em Novo Paraíso, no município de Caracaraí, o acumulado já ultrapassou 500 milímetros. A previsão da Femarh aponta que junho e julho terão chuvas acima da média, com volumes entre 300 e 350 mm mensais.

Saúde, água e alimentação

Na área da saúde, a Sesau foi orientada a abastecer imediatamente os postos do interior com medicamentos e insumos, além de intensificar campanhas de vacinação e ações de vigilância sanitária. A distribuição de hipoclorito para tratamento de água e o acionamento da Força Nacional do SUS também estão previstos. “Temos muita preocupação com doenças oportunistas que surgem nesses períodos. Estamos muito atentos à questão das endemias”, alertou Sampaio.

A Sepi distribuirá mil filtros ecológicos de tratamento de água às comunidades indígenas que estão sem abastecimento adequado. A Setrabes está fazendo o levantamento das famílias atingidas para distribuição de cestas básicas, mediante solicitação formal da Defesa Civil.

Intervenções paliativas em vicinais e pontes

O governo deixou claro que as intervenções nas vicinais durante o inverno serão pontuais e emergenciais. “Não temos condições de recuperar vicinal de forma integral com tanta chuva. Vamos fazer ajustes e medidas paliativas nos pontos críticos – bueiros, pontes – para manter a trafegabilidade”, explicou o governador.

A estratégia inclui cooperação técnica com as prefeituras para agir de forma preventiva em pontos com risco iminente de rompimento. A reconstrução das estruturas danificadas, como a ponte do Jacamim, prevista com cerca de 50 metros de extensão, será avaliada para execução após o fim do período chuvoso.

O Governo também encaminhará nas próximas horas uma solicitação formal de apoio ao Governo Federal.

Conheça as 10 medidas:

  1. Criação do Gabinete de Crise presidido pela Casa Civil e interlocução com municípios atingidos;

 

  1. Reconhecimento das situações de emergência já decretadas por municípios do Norte de Roraima;

 

  1. Monitoramento de outros municípios atingidos até a decretação e apoio às defesas civis municipais;

 

  1. Resgate aéreo de populações isoladas começando por Cuieiras, em Normandia;

 

  1. Ampliação da operação de baldeação da população isolada onde for necessário;

 

  1. Atenção às comunidades indígenas, populações mais atingidas neste momento;

 

  1. Setrabes: Levantamento de famílias atingidas para distribuição de cestas básicas e água potável;

 

  1. Femarh: Distribuição de filtros ecológicos de tratamento de água e monitoramento meteorológico diário;

 

  1. Saúde: Abastecimento de unidades de saúde do interior com medicamentos e insumos diversos, além de imunização, acionamento da Força Nacional do SUS, Vigilância Sanitária e distribuição de hipoclorito;

 

  1. Acionar todo o efetivo dos profissionais do Corpo de Bombeiros e l convocação de policiais e bombeiros em curso na Academia de Polícia Integrada.