A Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais realizou nesta quinta-feira (28), audiência pública para discutir a situação da BR-210, conhecida como Perimetral Norte. A iniciativa foi proposta pelo deputado Defensor Stélio Dener (Republicanos/RR), que abriu os trabalhos com uma fala contundente.
O parlamentar classificou a BR-210 como uma “dívida histórica do Brasil com o Norte”, destacando que o abandono da rodovia representa não apenas uma dificuldade para a região, mas também uma omissão estratégica do Estado brasileiro. Stélio Dener relembrou que a obra foi iniciada ainda na década de 1970, durante a ditadura militar, e que, passados mais de 50 anos, a maior parte do trajeto permanece apenas no papel. Ele citou o trecho sul de Roraima como o único com alguma operação concreta, ressaltando a importância da rodovia para os municípios de São João da Baliza, Caroebe e São Luiz do Anauá.
Na sequência, prefeitos da região expuseram as dificuldades enfrentadas pela população. A prefeita de São João da Baliza, Luiza Maura, relatou os impactos diretos sobre os pequenos produtores, lembrando que, mesmo em condições precárias, a BR-210 é essencial para o escoamento da produção agrícola e o acesso a serviços básicos. Ela pediu investimentos emergenciais em manutenção e apelou pela união da bancada federal de Roraima em defesa da rodovia.
O prefeito de Caroebe, Osmar Filho, reforçou que a situação atual é “insustentável” e lamentou a falta de atenção até mesmo para a conservação básica do trecho. Ele destacou que boa parte dos produtos que abastecem Roraima chega por balsas, encarecendo custos e limitando o desenvolvimento local.
Representantes do DNIT também participaram do debate. O superintendente em Roraima, Igo Gomes, admitiu que o trecho oeste da BR-210 está em situação crítica e revelou que não há orçamento previsto para intervenções no momento. Já o superintendente no Pará, Diego Benitah, afirmou que os trechos no estado sequer possuem traçado consolidado, ressaltando que qualquer avanço depende de articulação entre os três estados e de um plano federal consistente.
A equipe do Ministério dos Transportes esteve presente por meio de técnicos. A representante Camila Lourdes destacou a importância de respeitar os protocolos ambientais e indígenas em qualquer proposta de retomada da rodovia.
Encerrando a audiência, o deputado Defensor Stélio Dener afirmou que vai formalizar os encaminhamentos do debate e se comprometeu a apresentar emendas parlamentares que viabilizem a retomada das obras.
“A BR-210 não é apenas uma estrada inacabada, mas um símbolo de abandono que compromete o presente e o futuro da Amazônia. Não aceitaremos mais meio século de omissão: é hora de o Estado brasileiro assumir sua responsabilidade”, declarou o parlamentar.