A Defensoria Pública do Estado de Roraima (DPE-RR) encerrou o calendário de 2026 do programa Descomplica, que ao longo do ano passou por sete escolas da rede estadual de ensino, na capital e interior, alcançando cerca de 150 estudantes.
A última edição foi realizada no Colégio Estadual Militarizado Professora Elza Breves de Carvalho (CEM I), em Boa Vista, entre os dias 3 e 5 de novembro, com três dias de oficinas voltadas à empatia, ao respeito e à prevenção do bullying.
Durante o ano, estudantes participaram de dinâmicas, rodas de conversa e atividades que estimularam a reflexão sobre sentimentos, comportamento, comunicação e convivência no ambiente escolar.
Para a psicóloga da DPE-RR, Dellyane Torres, o envolvimento dos estudantes ao longo das oficinas demonstra a importância de criar ambientes nos quais eles se sintam à vontade para conversar. Segundo ela, no primeiro contato, é comum que os adolescentes fiquem receosos, sem saber exatamente o que esperar das atividades.
“Ao longo dos três dias, conseguimos perceber que os adolescentes vão se abrindo, vão vendo que aquilo ali é um espaço de acolhimento, de encorajamento para falar sobre temas importantes”, explicou.
No CEM I, o professor pedagogo Sandro Vitor destacou a importância de receber atividades que trabalham questões presentes na rotina dos estudantes, especialmente a mediação de conflitos e o respeito ao próximo.
“Ficamos felizes, porque a escola foi lembrada. Nós temos um público carente desse tipo de mediação, de oficina. Aqui a gente precisa muito trabalhar com mediação de conflitos, essa questão do respeito mútuo, de respeitar o outro”, afirmou.
Nádia Eduarda, aluna do 9º ano, destacou que as conversas sobre empatia e respeito foram alguns dos principais aprendizados dos encontros.
“Foi falado sobre empatia, respeito e sobre o bullying também, que é uma coisa horrível. Acho importante falar sobre isso dentro da escola para conscientizar as crianças. Acho que vai mudar bastante coisa na minha vida, principalmente sobre esse negócio da empatia com o próximo”, contou.
Para Jean Diniz, de 15 anos, também estudante do 9º ano, as oficinas ajudaram a compreender outras formas de lidar com situações de conflito, sem recorrer à agressividade.
“Eles me ensinaram a ter mais empatia com o próximo e aprender a conversar mais. O que eu vou levar para a vida é que conversar é a melhor opção, não partir para a agressão. Bullying é errado também”, relatou.
Ao avaliar o trabalho realizado em 2026, Dellyane destacou que o retorno das escolas costuma aparecer ainda durante os próprios dias de atividades. De acordo com a psicóloga, os gestores relatam a participação dos adolescentes e o interesse de outros estudantes em integrar as oficinas.
Para a equipe, o encerramento do calendário representa mais uma etapa de um trabalho que busca contribuir para a formação dos adolescentes e para uma convivência mais respeitosa nas escolas.
“Sabemos que é uma sementinha que é plantada, porque são poucos alunos por escola, mas a nossa expectativa é de que possamos continuar realizando o programa, porque ele é fundamental na vida dos adolescentes”, afirmou.
Com o encerramento das atividades deste ano, a DPE-RR já iniciou as conversas com a Secretaria de Educação para definir quais escolas poderão receber o programa em 2027. A expectativa é dar continuidade ao trabalho e ampliar as oportunidades de diálogo, acolhimento e conscientização entre os estudantes.







