Por trás de cada disputa na arena da 45ª Expoferr (Exposição-Feira Agropecuária de Roraima), existe uma rotina que começa muito antes da abertura dos portões. Treinos diários, cuidados veterinários rigorosos, longos deslocamentos entre municípios e estados, além de altos investimentos financeiros fazem parte da preparação silenciosa de vaqueiros, amazonas e peões.

Durante a terceira noite da feira, nesta quinta-feira, 05, os competidores compartilharam histórias e desafios de quem vive, na pele, a emoção da vaquejada e do rodeio.
O empresário Rogério Poliselli, responsável pela coordenação das provas na feira, destaca que a preparação dos atletas começa meses antes do evento.

A expectativa pela disputa e a busca por premiações motivam os participantes a intensificarem os treinamentos.
“Quando você faz um evento desse tamanho, as pessoas esperam o ano inteiro. Quem não consegue ganhar, vai treinar ainda mais, investir em cavalos melhores e se preparar para conquistar uma fivela. Os competidores chegam com antecedência, alguns até dez dias antes, e têm gastos altos com viagens, treinamento dos animais, roupas e equipamentos”, explicou.
Segundo Rogério, a Expoferr atrai participantes de Roraima e de estados vizinhos, como Amazonas, Pará e Rondônia. Para muitos, estar entre os classificados para uma grande final já representa uma conquista imensa, resultado de uma preparação que exige tempo e muito suor.
Mais de 15 anos de arena
Aos 40 anos, Gel Melquior acumula uma trajetória marcada por desafios na montaria em touros. Natural da comunidade indígena Arapá, no município de Uiramutã, ele conta que a paixão pelo esporte surgiu ainda na infância, influenciada pela convivência com o pai, que trabalhava com gado e cavalos.

O primeiro contato com o rodeio aconteceu de forma inusitada: após uma longa caminhada de 32 quilômetros a pé apenas para assistir a uma competição. Anos depois, começou a montar, precisou interromper a atividade após uma lesão séria, mas retomou a carreira com força total em 2015. Desde então, conquistou 23 títulos e chegou a 53 finais em arenas de Roraima, Amazonas e São Paulo.
“É uma profissão que não é fácil. Muitas pessoas ainda não reconhecem o competidor de montaria em touros como um profissional. Mas é um sonho que nasce com a gente. Sou muito grato a Deus, aos amigos e às parcerias que me ajudaram nessa trajetória. Levei o nome de Roraima e de Uiramutã para outros lugares, e isso é muito gratificante”, relatou.
Na Expoferr 2026, Gel vive um momento de despedida: a participação marca oficialmente o seu último rodeio. O peão espera encerrar a trajetória de forma limpa e sem fraturas, algo que considera uma verdadeira bênção diante dos altos riscos envolvidos na modalidade.
A força feminina na vaquejada
Nas provas de vaquejada, a amazona Tereza Policarpo representa a força e a garra da participação feminina. Aos 25 anos, a jovem, que é natural de Caracaraí e mora há seis anos em Boa Vista, começou a competir oficialmente em 2023, após conseguir adquirir o próprio cavalo.

Tereza explica que a vaquejada exige um investimento financeiro elevadíssimo, principalmente para a manutenção diária do animal e o custeio das inscrições nas provas. Na categoria feminina, ela aponta que a premiação final nem sempre cobre as despesas, mas a paixão pelo esporte fala mais alto.

“É um esporte muito caro, principalmente para a categoria feminina, que ainda não é tão valorizada em relação à premiação. Muitas vezes, o valor ganho não paga os custos de manter um cavalo e levá-lo para uma prova. Mesmo assim, a gente vem para brincar, se divertir e, como costumamos dizer, correr pelo troféu”, contou.
Para Tereza, o cavalo é um verdadeiro atleta e precisa de treinamento diário para chegar em boas condições físicas e mentais à competição. “Tem que caminhar com o animal, treinar passando nos bois e manter uma rotina todos os dias para ele chegar à corrida em forma. É uma preparação conjunta que envolve tanto o competidor quanto o cavalo”, detalhou.
EXPOFERR 2026
A 45ª Expoferr ocorre até sábado, 07 de novembro, no Parque de Exposições Dandãezinho, localizado na BR-174 (região do Monte Cristo), zona rural de Boa Vista. A expectativa é movimentar cerca de R$ 1 bilhão em negócios.
A programação une agronegócio, agricultura familiar, inovação e entretenimento. Após os grandes shows de Rey Vaqueiro e Brasas do Forró, a feira recebe nesta quinta-feira, 05, o sertanejo Felipe Araújo.
Nos próximos dias, o palco principal contará com shows de Augusto e Atílio e Iguinho e Lulinha (06); encerrando com Sâmi Rico e César Menotti & Fabiano (07).
O evento é promovido pelo Governo de Roraima, por meio da Seadi, em parceria com a Faerr (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Roraima), com patrocínio da Sicredi, Âmbar Energia e Amaggi.







